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A colonização Alemã e de outras nacionalidades
Depois da Revolução Francesa em 1789 até as revoluções
de 1848 na Europa, a Alemanha atravessou uma situação muito difícil. Havia
discórdia por toda a parte. O povo estava cansado de tantas guerras. Os
Estados, as pessoas ricas e pobres estavam cheias de dívidas, a indústria
não funcionava e as estradas estavam destruídas. Havia um desemprego muito
grande no Rhur. Quase todos estavam praticamente na miséria. Existiam
muitos problemas nas minas de carvão, causando muito desemprego. Os que
praticavam a vinicultura ficaram por lá; o restante, dependendo de outros
empregos e não tendo onde trabalhar, não tiveram como se manter, procuraram
emigrar para as Américas do Norte e do Sul.
A maioria dos colonos era natural de aldeias localizadas em 2 bispados:
Treves e Mogúncia. Esses 2 bispados estavam englobados na região da Renânia
e Westphália, ou seja, no Grão-Ducado de Hesse-Darmstadt e no Ducado de
Nassau, região atualmente conhecida pelo nome de Hunsruck.
Em 1837, chegou ao Rio de Janeiro o navio Justine com 238 imigrantes alemães,
cujo destino seria Sidney, na Austrália. Devido aos maus tratos sofridos
a bordo, os colonos alemães resolveram não seguir viagem, permanecendo
no Rio de Janeiro. Após se entender com a Sociedade Colonizadora do Rio
de Janeiro, Koeler interessou-se por eles e através de pagamento de indenização
feito pelo Governo ao capitão do navio, de nome Lukas, foi dada permissão
aos colonos de desembarcarem no Rio de Janeiro.
Os colonos, agora sob a ordem de Koeler, estiveram primeiramente trabalhando
no Meio da Serra, depois foram para o Itamarati. No fim de seu mandato,
João Caldas Viana, presidente da Província do Rio de Janeiro, recebe de
Charles Delrue, Vice-Cônsul do Brasil em Dunquerque, uma proposta de envio
de colonos para trabalhar no Brasil, deixando para o seu sucessor no Governo
da Província, Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, a realização do
contrato para a introdução de 600 casais de colonos alemães, assinado
em 17 de junho de 1844, para trabalharem em diversos ofícios, inclusive
a construção de estradas. Pelo documento, a primeira leva de 100 colonos
deveria estar no Porto do Rio de Janeiro dentro do prazo de 8 meses.
Os colonos saíram de Dunquerque no navio Virginie, sob o comando do capitão
Faure em 28 de abril de 1845 chegando no Rio de Janeiro em 13 de junho
do mesmo ano.
Os primeiros 161 emigrantes alemães, homens, mulheres e crianças, estavam
sujeitos a várias formalidades no desembarque, além das normas de saúde
que eram verificadas por uma comissão de três funcionários nomeados pelo
Presidente da Província do Rio de Janeiro, com prazo de 3 dias depois
do navio ter chegado.
Foram levados para Niterói, capital da Província, tendo sido acomodados
em barracões na praça São João Batista, junto da igreja matriz, onde ficaram
por dez dias.De Niterói vieram para o Rio, ficando no Arsenal de Guerra,
onde se acha hoje instalado o Museu Histórico Nacional. Os colonos alemães
receberam a visita do Imperador D. Pedro II, que deu algumas gratificações
aos mais necessitados e lhes prometeu um grande apoio e proteção.
Depois seguiram viagem para o Porto da Estrela, pelo rio Inhomirim, em
falúas a vela ou remo para aquele porto, gastando de 8 a 9 horas de viagem.
Do Porto da Estrela para o Córrego Seco, os colonos vieram a pé, com escala
na Fábrica de Pólvora e no Meio da Serra, onde existiam ranchos para os
viajantes, alcançando Petrópolis em 29 de junho de 1845.
Vieram muito mais alemães católicos do que protestantes. No dia 19 de
outubro de 1845, na praça Coblenz, dia de São Pedro de Alcântara, no mesmo
altar que fora totalmente ornamentado com flores silvestres, o Padre Luís
Gonçalves Dias Correia celebrou uma missa para os católicos e o pastor
Frederico Ave-Lallemant professou um culto para os protestantes. O Presidente
da Província, Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, compareceu a essa
solenidade, tendo feito um grande elogio ao trabalho dos colonos.
Koeler projetou uma colônia agrícola, que seria estabelecida com a ajuda
dos alemães. Os colonos se dedicaram com afinco, derrubando matas, semeando,
abrindo caminhos e construindo casas.
Foram muitas as dificuldades. Logo que aqui chegaram foi necessária a
compra de mais de 200 cabras para alimentar as crianças, já que suas mães
não tinham leite, devido aos maus momentos que passaram durante a viagem.
A terra dada aos colonos para o cultivo era imprópria e nada era conseguido
em termos econômicos.
Para os alemães se sentirem à vontade e se lembrarem de sua terra, Koeler
prestou uma homenagem aos colonos, repetindo os nomes de cidades e regiões
de sua origem na Alemanha nos respectivos bairros que denominou quarteirões:
Mosela, Palatinado, Westphalia, Renânia, Nassau, Bingen, Ingelheim, Darmstadt,
Woerstadt, Siméria, Castelânia e Worms. Além disso, homenageou as diversas
nacionalidades de outros colonos, dando-lhes nomes nos quarteirões: Quarteirão
Francês, Suíço e Brasileiro.
Hoje os descendentes de colonos estão por toda a cidade e seus nomes de
família, alguns até modificados, dão nomes a ruas e praças. Os colonos
alemães progrediram e elevaram muito o nome de Petrópolis, contribuindo
para o seu desenvolvimento. Seu trabalho e sua lembrança estão marcados
para sempre.
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