Fundação de Petrópolis

A fundação da cidade de Petrópolis está intimamente ligada ao Imperador D. Pedro I que, de passagem por essa região, seguindo o "Caminho do Ouro" que o levaria às Minas Gerais, pernoitou na fazenda do Padre Correia e se encantou com a exuberância e amenidade do clima. É de seu desejo então, adquirir a propriedade para seu uso e, em especial, para o tratamento de sua filha, Princesa Dona Paula de cinco anos, sempre muito doente.

Além disso, Pedro I sente a necessidade de construir um palácio fora do Rio de Janeiro, pois recebia muitas visitas da Europa não habituadas ao calor tropical. Construir um palácio no Córrego Seco seria muito adequado devido ao excelente clima da região que deveria agradar aos visitantes estrangeiros. Além disso, incomodava o Imperador existirem no Rio de Janeiro residências muito mais luxuosas que os seus palácios, todos eles muito simples. Um palácio de verão, serra acima, deveria ser mais qualificado para a sua condição.

A princesa Dª. Paula, sempre passava o verão na Fazenda do Padre Correia, pois tinha sérios problemas de saúde vindo a falecer prematuramente aos dez anos, em 1833. Em 1828 D. Pedro I, agora com sua segunda esposa D. Amélia, continuou a freqüentar a fazenda. D. Amélia, tendo também grande admiração pelo local, pede a D. Pedro para adquirí-la. O Imperador que gostava da fazenda por estar bem instalada, resolve tentar comprá-la. D. Arcângela, alegando que não pretendia vender a fazenda porque a sua família tinha assumido o compromisso de não deixar que a fazenda passasse a mãos estranhas, nega a venda ao Imperador. Ela mesma, talvez querendo se ver livre das incômodas e freqüentes visitas reais, indica a D. Pedro I outra fazenda pertencente ao Sargento-Mór José Vieira Afonso e que tinha o nome de Córrego Seco. Os irmãos de José Vieira Afonso desistiram da fazenda por ser muito improdutiva. D. Pedro comprou a fazenda por vinte contos de réis, preço muito alto para o valor real da fazenda, e a escritura de compra foi assinada em 1830.

D. Pedro I ainda adquiriu outras propriedades em torno, no Alto da Serra, em Quitandinha e no Retiro, ampliando a área de sua fazenda. Como ele enfrentava dificuldades políticas na capital, desejando que reinasse paz entre a Nação e ao Trono Brasileiro, passou a chamar o Córrego Seco de Fazenda da Concórdia. Logo depois encarregou seu arquiteto real Pedro José Pezerat e o engenheiro Pierre Taulois do projeto do Palácio da Concórdia, mas a obra não foi realizada pois no dia 07 de abril de 1831, o Imperador é obrigado a abdicar para retornar a Portugal. Esse projeto e o orçamento constam dos arquivos do Museu Imperial, infelizmente sem referência quanto ao local da obra.

Com a abdicação e morte de seu pai, D. Pedro II herda essas terras, que passam por vários arrendamentos até que Paulo Barbosa da Silva, Mordomo da Casa Imperial, teve a iniciativa de retornar aos planos de Pedro I. Era uma vultuosa empreitada que iria consumir consideráveis investimentos públicos e privados nos anos seguintes. Mas o Império estava em boa condição financeira, com o afastamento dos ingleses da nossa economia, com a proibição do tráfego negreiro e principalmente, com o 'boom" do café. O Mordomo mandou primeiro o engenheiro alemão Júlio Frederico Koeler construir a Estrada Normal da Serra da Estrela para tornar possível o acesso de carruagens à Fazenda do Córrego Seco, uma vez que o Caminho Novo era apenas para tropas de mulas. Em seguida, após o casamento de Pedro II, aos 18 anos, com Da. Teresa Cristina apresentou-lhe o projeto que foi aprovado.

Paulo Barbosa e Koeler elaboram um plano para fundar o que ele denominou "Povoação Palácio de Petrópolis", que compreendia a doação de terras da fazenda imperial a colonos livres, que seriam os construtores da nova povoação mas também, produtores agrícolas. Assim nasce a cidade com mentalidade de substituir o trabalho escravo pelo trabalho livre.

D. Pedro II assina em 16 de março de 1843, o Decreto Imperial nº 155 que arrenda as terras da fazenda do Córrego Seco ao Major Koeler, para a fundação da "Povoação Palácio de Petrópolis", com as seguintes exigências:

  • Construção do Palácio Imperial
  • Urbanização de uma Vila Imperial com quarteirões imperiais
  • Edificação da igreja de São Pedro de Alcântara
  • Instalação de um cemitério.
O Major Koeler fez a planta geral da Povoação-palácio, o projeto do Palácio Imperial e, em janeiro de 1845, colocou na Bolsa de Valores as ações da Companhia de Petrópolis, criada por ele para a execução de seus planos e projetos.

As ações da Companhia foram vendidas em quatro meses e dois meses depois chegaram os imigrantes alemães para o trabalho .Com recursos financeiros e mão de obra livre, a construção da povoação-palácio estava assegurada. Além disso, os governos provinciais de Caldas Vianna em 1843 e Aureliano Coutinho em 1845 deram integral apoio ao plano traçado por Koeler.

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