Petrópolis no Império e na República

No Império
Durante todo o 2°Reinado, a presença de D. Pedro II em Petrópolis se destaca, acima de qualquer outra personalidade, por sua influência, pela constância da sua presença e do seu amor à cidade. "Fale-me de Petrópolis", pedia a quem o visitava no exílio, pouco antes de falecer. Na colonização, os alemães, que sempre receberam toda a proteção e simpatia do Imperador, sempre lhe prestaram as maiores homenagens, chamando-o de "Unser Kaiser" (Nosso Imperador). Sua temporada de verão na Serra da Estrela durava até seis meses, de novembro a maio, quando então, a sua atuação governamental era transferida para Petrópolis. Com isso, a cidade se tornava a capital do Império, centro da atenção nacional.

De vila a cidade em onze anos
Como todo povoado, a cidade nasceu um curato em 1845 e um ano depois, devido ao seu constante desenvolvimento, se transformou vila, na condição de freguesia de São Pedro de Alcântara de Petrópolis. Em 1857, onze anos após, foi elevada à condição de município e cidade, sem passar pela categoria de vila, o que era, na ocasião, um fato inédito.

Mas o Imperador não desejava essa mudança de status, pois ele sabia que, nessa condição, haveria uma administração municipal interferindo nas relações com a sua Petrópolis. Mas o Coronel Amaro Emílio da Veiga, Deputado da Assembléia Provincial, depois de duas tentativas nas quais o Imperador interferiu para que fracassassem, conseguiu aprovar o seu projeto "...elevando a povoação de Petrópolis à categoria de cidade, revogando-se as leis em contrário." D. Pedro II ficou furioso e determinou que o Cel. Veiga retornasse ao Exército, impedindo que ele assumisse a presidência da Assembléia Legislativa de Petrópolis, para a qual tinha sido o candidato mais votado nas primeiras eleições municipais. Desgostoso, o Cel. Veiga pediu a reforma do Exército, se afastou da vida pública, mas continuou morando em Petrópolis até falecer, alguns anos depois.

A cidade se desenvolvia rapidamente, com forte tendência aristocrática, por força da presença do Imperador e de sua corte nas temporadas do verão petropolitano. Nobres, políticos, ricos negociantes e a intelectualidade da época se transferia para Petrópolis, durante um semestre. Palacetes eram construídos para morada dessa gente abonada e muitos deles hoje fazem parte do patrimônio arquitetônico do Centro Histórico da cidade, cuja preservação é preponderante para o desenvolvimento turístico de Petrópolis.

E a cidade também se modernizava, acompanhando uma tendência geral da segunda metade dos anos 1900. Alguns sinais dessa modernidade são enumeradas abaixo:
  • Construção de estradas modernas que facilitavam o acesso à cidade. Entre elas, a atualíssima Estrada Normal da Estrela que vinha do Porto da Estrela, a União e Indústria que ia para Juiz de Fora e a Estrada para Paty do Alferes.
  • Surge em cena Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, criando a estrada de ferro e a linha de barcos a vapor, que ligava Petrópolis ao Rio de Janeiro. Essa viagem começava no Cais dos Mineiros do Rio até o Porto de Mauá, no fundo da Baía da Guanabara, em pequenos vapores muito confortáveis, com orquestra e sala de refeições; do Porto de Mauá até Raiz da Serra na primeira estrada de ferro do Brasil e daí, em diligências até Petrópolis pela Estrada Normal da Estrela. Em 1882, foi inaugurada a Estrada de Ferro do Príncipe Grão-Pará, vencendo a Serra da Estrela em cremalheira, verdadeiro prodígio técnico na época, que substituía as diligências.
  • Organização de colégios de excelente qualidade como o Kopke, o Calógeras, o de Frederico Stroele, o N.S. de Sion e as escolas de educadoras francesas como as de Mme Dienes, Mme Taulois, Mme Geslin.
  • Hotéis para veranistas e visitantes ilustres foram inaugurados. O Hotel Bragança, que funcionou por quase 80 anos e foi derrubado para a abertura da rua Alencar Lima, tinha noventa e dois quartos, salões de festas, de bailes e um teatro. Mas havia outros, como o Hotel Suíço, o João Meyer, ponto de reunião de colonos, o Hotel Europa, que hospedou o Imperador Maximiliano do México, em 1848 e o Orleans, onde hoje funciona a Universidade Católica de Petrópolis, na Rua Barão do Amazonas.
Assim, com sua animada vida social, Petrópolis competia com o Rio de Janeiro durante todo um semestre do ano, levando a grande vantagem de oferecer um clima ameno aos seus visitantes. Em conseqüência, a cidade ostentava um grande número de primeiros lugares como a primeira estrada de rodagem de montanha, a Estrada Normal da Estrela, a primeira estrada macadamizada, a União e Indústria, o primeiro trem a subir uma montanha e a primeira cidade totalmente planejada antes de ser iniciada a sua construção.

Na República
Com a Proclamação da República em 1889 e, como conseqüência, o exílio da Família Imperial, temia-se que a cidade fosse ameaçada por retaliações republicanas. Internamente, tentando se alinhar com as novas idéias e apagar as lembranças da Monarquia, os petropolitanos começaram a mudar os nomes das ruas, substituindo os antigos nomes imperiais pelos novos valores republicanos:
Rua do Imperador....................... Av. 15 de novembro
Rua da Imperador....................... Av. 7 de setembro
Rua Princesa Isabel..................... Rua 13 de maio
Rua de Bourbon.......................... Rua João Pessoa
Rua de Joinville........................... Rua Ipiranga

Significativos para a cidade foram os oito anos em que ela se transformou na capital do Estado do Rio de Janeiro. O prof. Aloysio Bade assim descreve essa fase:

Em 6 de setembro de 1893, ocorre uma Revolta Armada em Niterói, sob o comando de Custódio José de Melo. Os navios de guerra, que estavam na Baía de Guanabara, revoltaram-se contra o governo do Marechal Floriano Peixoto. E, devido a esse acontecimento, foram cortadas todas as comunicações entre o Rio de Janeiro e Niterói. Diante desse acontecimento, Petrópolis passa a ser capital provisória do Estado do Rio de Janeiro. A mudança ocorreu no dia 20 de fevereiro de 1894, permanecendo até 04 de agosto de 1902.

Quando Petrópolis deixou de ser capital do Estado, muitas pessoas pensaram que a cidade não teria mais prestígio e ficaria esquecida. Mas, pelo contrário, Petrópolis cada dia viria a progredir mais. Começaram a aparecer os prédios modernos ao lado das antigas residências. Os presidentes da República começaram a passar o verão aqui, as indústrias foram evoluindo e os empregos aumentando.

No início do século, surge a epidemia de febre amarela no Rio de Janeiro, fazendo com que muitas pessoas saíssem da cidade e viessem morar em Petrópolis, onde não havia o problema da doença, devido à salubridade do clima.

A iluminação pública era feita a querosene, mas já havia contatos para que ela fosse substituída por energia elétrica, sendo Petrópolis uma das primeiras cidades do país a contar com essa brilhante modernidade.

A condução era feita pelos bondes puxados a burros, sem trilhos, cujo trajeto começava na Estação Leopoldina e ia até Pic-Nic, pela atual rua Barão do Rio Branco. Existiam também os tílburis, codução puxada por um cavalo, que carregava uma ou duas pessoas, sendo muito procurada pelos vendedores e médicos. O passageiro ia ao lado do condutor.

A qualidade dos hotéis era muito boa, destacando-se os seguintes: o Oriental, o Mills, o Central, o Bragança e o do Comércio. No setor de divertimentos podemos citar o Teatro Cassino e o Teatro Floresta, ambos funcionando como casa de espetáculos em geral.

Entre os colégios de meninas existentes em Petrópolis nesta época, podemos destacar: o Sion, o Americano, o Santa Isabel e o Santa Catarina. Para os meninos, o São Vicente de Paulo, o Padre Moreira, o Brasileiro-Alemão e o Liceu de Artes e Ofícios.

Os republicanos também se renderam aos encantos da Serra da Estrela. De 1894 a 1903, o Ministério das Relações Exteriores praticamente funcionou em Petrópolis, decidindo questões vitais como a assinatura do Tratado de Petrópolis, que anexou o Acre à Federação.

Nos anos seguintes, a maioria dos presidentes da República, desde Deodoro da Fonseca até Costa e Silva, veraneou em Petrópolis. A cidade que antes se transformava em capital do Império, agora tornava-se capital da República, preservando o seu ambiente aristocrático e refinado.

Os primeiros presidentes alugaram casas. Prudente de Moraes ia e vinha todo dia no Trem do Presidente. Campos Salles, para seu veraneio, alugou a Casa do Visconde Silva, hoje Palácio Sérgio Fadel, sede da Prefeitura. Olhando o Palácio Rio Negro da varanda de sua casa alugada, teve a idéia de mandar restaurá-lo. Em 1903, o Palácio foi incorporado ao Governo Federal e passou a ser residência oficial de verão dos presidentes. Desde então, de Rodrigues Alves a Costa e Silva, a maioria veraneou neste Palácio. No verão de 1996/1997, o Presidente Fernando Henrique Cardoso reinventou a tradição instalando-se no Palácio Rio Negro.

Epitácio Pessoa, em 1920, construiu o prédio do I° Batalhão de Caçadores, trazendo para a cidade a tropa do Exército, hoje 32°Batalhão de Infantaria, uma das tradições petropolitanas e também em 1922 o prédio dos Correios.

No final da década de 1920, foi construída a primeira rodovia asfaltada do país que ligava o Rio a Petrópolis, que recebeu o nome de Washington Luiz, o presidente que teve essa iniciativa.

Talvez Getúlio Vargas tenha sido o presidente que mais se ligou a Petrópolis. Muitos ainda se lembram de vê-lo, andando pelas ruas da cidade. O Museu Imperial e o Mausoléu dos Imperadores foram por ele inaugurados.

O Hotel-Cassino Quitandinha foi aberto em 1944 e logo se tornou conhecido em todo o país pela suntuosidade de suas instalações. O jet-set internacional foi atraído para Petrópolis, que contou com a visita de inúmeros astros como Orson Welles e Errol Flynn. Com a proibição do jogo no Brasil pelo Presidente Dutra, em 1946, o hotel não sobreviveu e seus apartamentos foram vendidos para particulares e os salões passaram a ser utilizados para congressos, convenções, feiras e espetáculos artísticos. A parte social, chamada de Palácio Quitandinha está aberta à visitação dos turistas.

Com a transferência da capital federal para Brasília, iniciada em 1962, com as mudanças sociais e tecnológicas decorrentes do início do processo de industrialização do país, com as intensas migrações internas de populações marginalizadas, a cidade se viu envolvida em um processo político populista que permitiu que diversas áreas, inclusive as encostas dos morros, fossem ocupadas de modo inadequado. Como conseqüência, ocorreu um violento crescimento da população sem um planejamento urbano e paisagístico que permitisse a manutenção das condições anteriores da cidade, o que modificou em profundidade o ambiente e a sua aparência.

Atualmente a cidade se volta para o turismo, baseado em suas tradições e nas marcas arquitetônicas e urbanísticas que ficaram de seu passado. A cada dia novos casarões e palácios abrem suas portas à visitação. Uma extensa rede de facilidades esta sendo oferecida ao turista como pousadas e hotéis, restaurantes e outras atrações cheias de requinte e particularidades, capazes de atrair o interesse do visitante.

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