Os valores petropolitanos

Tanto no Império como na República, Petrópolis se desenvolveu muito, sempre estimulado pela presença de pessoas ilustres do meio político, cultural e social. Boas estradas, as melhores fábricas de tecidos, fábricas de cerveja, de calçados, serrarias, ferrarias, ourivesaria, e outras atividades movimentavam a cidade no Império, usando mão de obra especializada de imigrantes não só alemães e italianos, mas também ingleses, belgas, libaneses e outros.

A partir de 1960, contudo, com a mudança da capital federal para Brasília e com as mudanças políticas que já vinham acontecendo há alguns anos, a cidade começou a necessitar de grandes investimentos para modernizar a sua estrutura e poder enfrentar a concorrência cada vez maior. Como isso não foi possível, houve uma grande mudança de rumo na vida do petropolitano e da sua cidade, que se voltava cada mais para a sua tradição histórica e para a beleza e preservação da sua natureza. Assim, a urbanização da cidade, as velhas mansões e sobrados, que tinham sido ocupados pela nobreza do Império e depois por Ruy Barbosa, Santos Dumont, Joaquim Nabuco, e tantos outros, se incorporaram ao patrimônio da cidade. Especialmente, a sua rica tradição ligada à Família Imperial brasileira, em particular a figura de D. Pedro II, passaram a ser um valor cultural da cidade e um forte apelo para o turismo.

Mas esse patrimônio esteve e está ameaçado pela falta de zelo da população e desleixo das autoridades ao longo dos anos. Não fosse o presidente João Figueiredo Petrópolis poderia não existir com a graça e o carisma de hoje. Em 1980, Figueiredo, com o DL #80 de março de 1981, congelou as construções que descaracterizavam o Centro Histórico, deu prazo para que fosse elaborada uma legislação do uso do solo e atribuiu à cidade o título de Cidade Imperial. Com apenas cinco artigos no seu decreto ele salvou o que restou da Petrópolis imperial.

Para que esses valores histórico-culturais possam se transformar em riqueza para a cidade estão sendo feitos esforços pela iniciativa privada e pelo poder público, pois são necessárias ações planejadas e organizadas, além de grande investimento na educação do povo, na divulgação da cidade, enfim, na transformação da consciência dos que vivem em Petrópolis para que possam receber com toda atenção aqueles que vierem visitá-la.

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